Deserto Manifesto Calado
…é quando rompo o silêncio e através dos teus gestos percebo que a luz que aos meus olhos atravessa é exatamente a mesma que sai dos teus. Me conduz sinuosamente por teu corpo. tateio aos poucos tua ternura e sinuosamente deixo meu corpo falar ao seu…
É ai que esqueço o mundo –esquecemos– manifestamos tudo, e hajam manifestos, nos olhamos dizendo: ajam, manifestos! Nos pegamos manifestando por aí, e manifestamos pra quê? por quê? em nome de quem? Para, por e pelo amor! Para, pelo, e por amar!
Lembro que não aprendi a fazer poesias de protesto, e até detesto poesias de protesto, mas em nome do amor… ah, em nome do amor, você diz: vale tudo! Guerras, feridas, mordidas, massacres, sortilégios… É por isso que peço: chega na carne e FERE! Memastigue.memastigue.memastigue…
Cesso.
Rompe o dia,e passaros apaixonados cantam sobre nós… Já dentro de mim faz silêncio: quando você foi embora, só me sobrou –de repente– esse deserto e calado manifesto…
tuiu

